Entenda como funciona a Taxa de Preservação Ambiental cobrada de turistas em Ilhabela

Por Diego Rodríguez Velázquez 5 Min de leitura

A TPA voltou a ser cobrada em 2026 depois de cinco anos suspensa e já gera dúvidas entre visitantes sobre valores, isenções e destino do dinheiro arrecadado.

Quem pretende visitar Ilhabela de carro em 2026 precisa considerar um custo extra no orçamento da viagem: a Taxa de Preservação Ambiental, conhecida pela sigla TPA. A cobrança, aprovada por unanimidade pela Câmara Municipal em setembro de 2025, passou a valer oficialmente no dia 31 de março de 2026, conforme confirma a própria Prefeitura de Ilhabela em sua página oficial sobre o tema.

A criação da taxa não é uma novidade completa na história do município. A TPA já existia desde 2007, mas ficou suspensa a partir de 2020, durante a pandemia, como forma de estimular o turismo em um período de forte retração econômica. A retomada, seis anos depois, ocorre em um cenário bem diferente, marcado por recorde de visitantes e pela necessidade de financiar ações permanentes de conservação ambiental.

Quanto custa e quem paga

Os valores variam conforme o tipo de veículo: 10 reais para motocicletas, 48 reais para carros de passeio, utilitários e kombis, 70 reais para vans e caminhões, 100 reais para micro-ônibus e 140 reais para ônibus. A cobrança acontece uma única vez por entrada no município, o que significa que tanto uma visita de poucas horas quanto uma estadia de várias semanas pagam o mesmo valor, desde que o veículo não saia e retorne à ilha.

Um ponto que costuma gerar confusão entre os visitantes é a diferença entre a TPA e a tarifa da balsa que faz a travessia entre São Sebastião e Ilhabela. São cobranças distintas e cumulativas. O valor da balsa para carros de passeio varia entre 19 e 28,50 reais, a depender do dia e do horário, e é pago apenas na ida. Moradores com veículos registrados em Ilhabela e São Sebastião estão isentos da TPA, sem necessidade de cadastro prévio.

O caminho até a aprovação da cobrança

O caminho até a implementação da taxa não foi livre de contratempos. A cobrança chegou a ser suspensa pelo Tribunal de Contas do Estado, após apontamentos de irregularidades na licitação. A prefeitura precisou revogar o processo original e refazer os trâmites antes de retomar a cobrança em definitivo, o que explica por que a data de início mudou algumas vezes até a confirmação de março de 2026.

O sistema de pagamento também foi modernizado em relação à cobrança anterior. Em vez de cabines físicas, a TPA passou a funcionar em modelo de fluxo livre, com leitura eletrônica de placas, seguindo um caminho parecido com o adotado em Ubatuba e em trechos da rodovia dos Tamoios. O pagamento pode ser feito por tag eletrônica, Pix, boleto, cartão de débito ou crédito, sempre pelo site oficial indicado pela prefeitura.

Para onde vai o dinheiro arrecadado

A legislação aprovada pela Câmara Municipal determina que os recursos sejam aplicados exclusivamente em ações de limpeza urbana, educação ambiental, conservação de áreas naturais e infraestrutura de preservação. A prefeitura estimou uma arrecadação de cerca de 45 milhões de reais por ano e se comprometeu a prestar contas trimestralmente à Câmara Municipal, medida pensada para dar transparência ao uso do dinheiro.

Ilhabela não caminha sozinha nessa direção. Cidades vizinhas do litoral paulista, como Ubatuba e São Sebastião, também adotaram ou discutem taxas semelhantes voltadas à preservação ambiental, um movimento que reflete a pressão crescente do turismo sobre ecossistemas costeiros sensíveis. Para quem planeja visitar a região, vale considerar esse custo adicional já na organização do roteiro, principalmente em períodos de alta temporada.

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