Adeus ao bege: por que as casas recuperam personalidade?

Por Emilia Valdera 5 Min de leitura

Por muito tempo, tons neutros dominaram os projetos residenciais. Branco, bege, cinza e variações de areia apareceram em paredes, móveis e objetos por serem fáceis de combinar e associados a uma estética atemporal. Daugliesi Giacomasi Souza, fundadora da DGdecor, acompanha a mudança que vem ampliando o espaço para cores mais intensas, estampas, texturas e combinações menos previsíveis nos interiores. Esse movimento mostra como os ambientes estão deixando de buscar apenas uma aparência neutra para incorporar mais referências da personalidade e da rotina de quem vive neles.

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Por que o bege perdeu o protagonismo?

A preferência pelos neutros não surgiu por acaso. Durante anos, eles foram utilizados para criar ambientes visualmente leves, facilitar futuras mudanças e produzir uma sensação de continuidade entre diferentes espaços. Em imóveis menores, tons claros também são frequentemente associados à amplitude. O problema aparece quando a busca pela neutralidade faz com que projetos diferentes comecem a apresentar a mesma aparência.

A mudança atual está relacionada justamente ao desejo de diferenciação. Em vez de eliminar completamente as cores para garantir versatilidade, muitos projetos passaram a utilizá-las de maneira planejada. Uma parede colorida, uma poltrona marcante ou uma composição de objetos pode modificar a percepção de um ambiente sem exigir uma transformação completa. A cor também pode ser aplicada em pontos estratégicos, permitindo atualizar a atmosfera do cômodo sem substituir móveis ou realizar grandes intervenções. Essa abordagem torna mais simples experimentar novas combinações e ajustar o ambiente ao longo do tempo.

Daugliesi Giacomasi Souza destaca que essa retomada não significa simplesmente trocar o bege por uma cor vibrante. O ponto central está em entender que a escolha cromática precisa conversar com a rotina, a iluminação e os demais elementos presentes no espaço. A personalidade não surge do excesso, mas da coerência entre as escolhas. Uma tonalidade pode funcionar de maneira diferente conforme a incidência de luz, o tamanho do cômodo e os materiais utilizados ao redor. 

Como as cores estão entrando nos projetos?

Segundo Daugliesi Giacomasi Souza, uma das mudanças mais interessantes está na maneira de distribuir as cores. Em vez de concentrá-las apenas em pequenos objetos decorativos, elas podem aparecer na marcenaria, nos estofados, nas paredes, nos tapetes e até em detalhes arquitetônicos. Essa repetição cria unidade e permite que uma tonalidade participe efetivamente da identidade do ambiente. Além disso, o uso equilibrado das cores ajuda a criar diferentes sensações e destacar pontos específicos da decoração.

Daugliesi Giacomasi Souza
Daugliesi Giacomasi Souza

Cores terrosas, verdes, azuis profundos, amarelos mais suaves e tons avermelhados podem ser utilizados em diferentes intensidades. O resultado depende menos da cor escolhida isoladamente e mais da relação estabelecida entre ela, a luz natural, os materiais e as dimensões do cômodo. Por isso, observar como esses elementos conversam entre si é essencial para alcançar uma composição visualmente harmoniosa e acolhedora.

E as estampas, como entram nessa mudança?

A recuperação das estampas acompanha a busca por ambientes menos previsíveis. Florais, listras, formas geométricas e desenhos orgânicos podem aparecer em tecidos, papéis de parede, tapetes e revestimentos. Quando bem distribuídos, esses elementos ajudam a criar diferentes planos de interesse sem necessariamente deixar o espaço visualmente carregado. A escolha dos padrões também pode contribuir para reforçar a personalidade e o estilo de cada cômodo.

O segredo está na proporção. Uma estampa muito expressiva pode assumir o protagonismo de determinado ambiente, enquanto outros elementos funcionam como apoio. Outra possibilidade é combinar padrões diferentes que compartilhem alguma característica, como uma cor ou uma escala semelhante. Essa combinação permite criar contrastes interessantes sem comprometer a harmonia visual da composição.

Para a fundadora da DGdecor, Daugliesi Giacomasi Souza, essa liberdade também representa uma oportunidade de incorporar referências pessoais ao projeto. Fotografias, peças antigas, objetos de viagens e elementos afetivos podem conviver com escolhas contemporâneas. O resultado é um ambiente que apresenta mais camadas e não parece montado a partir de uma única tendência. Essa mistura entre memórias e elementos atuais contribui para tornar a decoração mais autêntica e conectada à história de quem vive no espaço.

Para conhecer mais sobre o trabalho de Daugliesi Giacomasi Souza e da DGdecor, é possível acompanhar o perfil @dgdecor.construir.

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