Com quase 90% do território preservado, Ilhabela vira palco de programa estadual de educação ambiental

Por Diego Rodríguez Velázquez 5 Min de leitura

Etapa do projeto Verão no Clima reuniu moradores e turistas na Praia do Perequê em ação que combina esporte, cultura e conscientização sobre resíduos.

Ilhabela ocupa um lugar particular no mapa ambiental de São Paulo. Cerca de 85% do território do município está protegido por áreas de Mata Atlântica, resultado de décadas de trabalho conjunto entre o governo estadual e a administração municipal. Boa parte dessa proteção está concentrada no Parque Estadual de Ilhabela, unidade de conservação que ocupa a maior parte da ilha e é considerada peça central na manutenção da biodiversidade local.

Um dia de ação na Praia do Perequê

Foi justamente nesse contexto que a cidade recebeu, no fim de fevereiro, mais uma etapa do projeto Verão no Clima, iniciativa do Governo de São Paulo voltada à educação ambiental em municípios do litoral. A programação, realizada na Praia do Perequê, reuniu moradores e turistas em atividades que uniram esporte, cultura e mobilização social. O dia começou cedo, com uma corrida de 5 quilômetros com largada às 7h, aberta ao público mediante inscrição gratuita.

Na sequência, por volta das 9h, voluntários participaram de um mutirão de limpeza da orla, ação que já ultrapassou a marca de 2,5 toneladas de resíduos coletados ao longo de toda a edição 2025 e 2026 do projeto. A partir das 10h, o público pôde acompanhar rodas de conversa com organizações da sociedade civil e instituições parceiras, que apresentaram iniciativas voltadas à conservação ambiental na região.

Quem apoia o projeto e por onde ele passa

O projeto conta com patrocínio da Sabesp, viabilizado por leis federais de incentivo ao esporte e à cultura, além do apoio de instituições como a Cetesb, a Fundação Florestal, a Polícia Ambiental do Estado de São Paulo e o Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza. Após passar por Ilhabela, o circuito seguiu para outras cidades do litoral paulista, incluindo Iguape, São Sebastião e Cananeia, encerrando a edição 2025 e 2026 no fim de março.

Para além dessa edição específica, o programa se insere em uma estratégia mais ampla do governo estadual para lidar com um desafio recorrente das cidades litorâneas: como equilibrar o crescimento do turismo com a preservação de ecossistemas frágeis. Representantes da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil) destacaram que Ilhabela é uma das etapas mais simbólicas do projeto justamente por reunir alto fluxo turístico e um dos maiores percentuais de área preservada do litoral paulista.

Preservação como política permanente

O tema não se resume a eventos pontuais. O Governo de São Paulo também abriu, em outro momento, um processo seletivo para contratação temporária de brigadistas com atuação dentro do Parque Estadual de Ilhabela, reforço voltado principalmente para o combate a incêndios florestais em período de maior risco. Do ponto de vista legal, as ações de conservação em Ilhabela seguem diretrizes do Código Florestal Brasileiro, que estabelece a responsabilidade compartilhada entre União, estados, Distrito Federal e municípios pela proteção e restauração da vegetação nativa.

Para os moradores, iniciativas como o Verão no Clima também têm um efeito prático imediato: reforçar o cuidado com a limpeza das praias em um período de pico de visitantes, quando a geração de resíduos tende a aumentar de forma expressiva. A expectativa da Semil é que o programa continue passando por diferentes cidades do litoral paulista nas próximas edições, com Ilhabela mantendo papel de destaque dentro do calendário estadual de educação ambiental.

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