Projeto desenvolvido por estudantes une tecnologia, educação e participação para transformar necessidades da escola em soluções digitais.
A tecnologia começa a ganhar um papel cada vez mais concreto dentro das escolas de Ilhabela. Um exemplo recente está sendo desenvolvido por alunos do Ensino Fundamental II da Escola Municipal Waldemar Belisário, que criaram a proposta de um aplicativo para identificar problemas e necessidades da comunidade escolar e transformá-los em soluções digitais. O projeto, chamado Belisário Soluções, ainda está em desenvolvimento e começou com uma etapa de pesquisa entre estudantes, professores e demais integrantes da escola. A iniciativa foi divulgada pela Prefeitura de Ilhabela em 21 de agosto e faz parte das aulas de Práticas Digitais da Educação em Tempo Integral. (Ilhabela)
A novidade chama atenção porque vai além do uso de computadores em sala de aula. A proposta coloca os próprios estudantes diante de um problema real: entender o que pode ser melhorado na escola e pensar em uma ferramenta tecnológica para ajudar. Para moradores e famílias de Ilhabela, a experiência também levanta uma dúvida importante: como a tecnologia está sendo usada para preparar os jovens da cidade para um mercado de trabalho cada vez mais digital?
Como funciona o aplicativo criado pelos estudantes de Ilhabela
O projeto Belisário Soluções ainda não é um aplicativo pronto para uso geral. Neste momento, os estudantes estão realizando uma pesquisa com a comunidade escolar para descobrir quais são os principais desafios enfrentados no cotidiano e quais funcionalidades poderiam ajudar a solucioná-los. A orientação é da professora Carolina Santos, integrante da Rede Municipal de Educação desde 2021, e a atividade está inserida no componente de Práticas Digitais da Educação em Tempo Integral. (Ilhabela)
A escolha dessa metodologia é relevante porque muda a maneira como o aluno se relaciona com a tecnologia. Em vez de apenas consumir aplicativos já existentes, os estudantes precisam observar uma situação, levantar informações, identificar necessidades e pensar em uma resposta digital. Esse processo desenvolve habilidades que podem ser úteis tanto na vida escolar quanto profissional, como criatividade, trabalho em equipe, comunicação, análise de problemas e capacidade de transformar uma ideia em projeto.
O projeto também mostra como a tecnologia pode ser aplicada a questões simples do cotidiano. Uma ferramenta escolar pode, por exemplo, organizar informações, facilitar a comunicação ou ajudar a identificar demandas que normalmente demorariam mais para chegar aos responsáveis pela unidade. As funcionalidades definitivas, porém, ainda dependem da pesquisa feita pelos próprios alunos, e a Prefeitura não informou que o aplicativo já esteja disponível para utilização pública. (Ilhabela)
Tecnologia ganha espaço na formação profissional em Ilhabela
A iniciativa da Escola Waldemar Belisário não aparece isoladamente na estratégia de formação tecnológica do município. A Prefeitura mantém o Ilhabela Tech, programa voltado à qualificação de moradores para o setor de tecnologia, e abriu recentemente uma turma gratuita de Qualidade de Software, com 30 vagas e aulas presenciais previstas para começar em 31 de agosto na IETEC, na Barra Velha. A formação ensina fundamentos de QA, área responsável por testar e validar sistemas e aplicações antes que sejam disponibilizados aos usuários. (Ilhabela)
A própria IETEC informa que já certificou 2.016 alunos desde sua inauguração, em 2023, incluindo formações em tecnologia, inovação, gastronomia, náutica, hotelaria e indústria. Em 2026, a escola havia certificado 230 alunos até agosto, segundo dados divulgados pela administração municipal. A estratégia é especialmente importante para uma cidade cuja economia está fortemente ligada ao turismo, porque a transformação digital também cria novas oportunidades em áreas como atendimento, marketing, gestão, hospedagem, comércio e serviços. (Ilhabela)
Outro exemplo da presença tecnológica em Ilhabela é o projeto Cidade Digital, que disponibiliza internet banda larga gratuita em 63 pontos do município. Segundo a Prefeitura, a estrutura interliga 45 prédios públicos e possui capacidade para até 4 mil usuários simultâneos, com média de aproximadamente 5.600 acessos mensais. Para moradores e visitantes, iniciativas desse tipo ajudam a ampliar o acesso à conectividade, enquanto para os estudantes representam uma infraestrutura que pode facilitar o aprendizado e a criação de projetos digitais. (Ilhabela)
O que essa transformação pode mudar para moradores e visitantes
A expansão da tecnologia em Ilhabela pode produzir efeitos que vão além das escolas. Uma população mais familiarizada com ferramentas digitais tende a encontrar novas possibilidades de formação e trabalho, enquanto empresas ligadas ao turismo podem se beneficiar de profissionais preparados para lidar com sistemas, plataformas digitais, análise de dados e atendimento tecnológico. Para uma cidade turística, isso também pode ajudar a melhorar a experiência de quem chega ao arquipélago e precisa encontrar informações sobre hospedagem, atrações, mobilidade, alimentação e serviços.
O município já utiliza inteligência artificial diretamente no turismo por meio da Mar.IA, guia virtual criada para auxiliar visitantes. O projeto recebeu reconhecimento nacional em 2026 ao vencer a categoria de Inovação com IA e Tecnologia do Prêmio Marketing Contemporâneo 2025, segundo a Prefeitura. A existência dessa ferramenta mostra que a tecnologia já faz parte da estratégia de promoção turística de Ilhabela e que a formação de estudantes nessa área pode criar, no futuro, profissionais capazes de participar de soluções semelhantes. (Ilhabela)
Para os moradores, o caso dos alunos da Waldemar Belisário também mostra uma mudança importante na relação entre escola e comunidade. O aplicativo não está sendo pensado apenas a partir de uma tarefa teórica, mas de problemas identificados no próprio ambiente escolar. Isso aproxima a educação da realidade local e pode estimular os jovens a enxergar tecnologia não apenas como entretenimento, mas como ferramenta para melhorar serviços, organizar informações e resolver dificuldades concretas.
O próximo passo do Belisário Soluções será justamente transformar os resultados da pesquisa em funcionalidades e avançar no desenvolvimento da ferramenta. Como o projeto ainda está em fase de construção, não há indicação oficial de quando o aplicativo estará disponível ou se será expandido para outras escolas. Mesmo assim, a experiência já representa um sinal de que a transformação digital em Ilhabela começa também dentro da rede municipal de ensino.
Para quem acompanha o futuro da cidade, o projeto merece atenção porque reúne três temas estratégicos para Ilhabela: educação, tecnologia e desenvolvimento econômico. A formação de estudantes capazes de criar soluções digitais pode abrir novas possibilidades profissionais sem afastá-los necessariamente da cidade onde vivem. Ao mesmo tempo, iniciativas como o Ilhabela Tech, a IETEC, a Cidade Digital e a Mar.IA indicam uma estratégia mais ampla de aproximação entre inovação e cotidiano. O resultado mais importante pode aparecer justamente quando os jovens deixarem de ser apenas usuários de tecnologia e passarem a participar da criação das ferramentas que ajudam a transformar Ilhabela.