Ação “Verão no Clima”, da Secretaria de Meio Ambiente de São Paulo, uniu instituições locais e estaduais em atividades de educação ambiental na ilha.
Ilhabela foi uma das cidades escolhidas para receber uma etapa do programa “Verão no Clima”, iniciativa da Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente do Estado de São Paulo (Semil) voltada à educação ambiental em municípios turísticos. A ação, realizada em fevereiro de 2026, reuniu órgãos estaduais e instituições locais em atividades que incluíram corrida, atrações culturais e orientações sobre preservação da biodiversidade marinha. O programa levanta uma pergunta recorrente entre moradores de cidades litorâneas: como o poder público estadual e o municipal dividem responsabilidades na proteção de áreas ambientalmente sensíveis, especialmente em locais que recebem grande volume de turistas durante o verão. A resposta passa por uma rede de parcerias entre governo estadual, Prefeitura e organizações da sociedade civil que atuam diretamente em Ilhabela.
Por que Ilhabela foi escolhida como etapa simbólica do programa
Segundo a diretora de Educação Ambiental da Semil, Lara Costa, Ilhabela é considerada uma das etapas mais representativas do “Verão no Clima” porque o município mantém cerca de 85% do seu território preservado, resultado do trabalho conjunto entre o Estado e a administração municipal ao longo de décadas. Essa proporção está diretamente ligada à existência do Parque Estadual de Ilhabela, unidade de conservação que protege grande parte da Mata Atlântica e dos ecossistemas costeiros do arquipélago.
Lara Costa destacou ainda que manter esse patrimônio ambiental exige educação continuada, principalmente durante os períodos de alta temporada, quando o número de visitantes cresce de forma expressiva e a pressão sobre trilhas, praias e áreas de conservação aumenta na mesma proporção. Para a gestora estadual, o foco central da ação em Ilhabela foi fortalecer o que ela chamou de cultura do cuidado coletivo, unindo moradores, turistas e poder público em torno de práticas mais responsáveis de uso do espaço natural.
Quais instituições participaram das atividades na ilha
A etapa de Ilhabela contou com a participação de diversas organizações, incluindo o Instituto Viva Verde Azul, a Fundação Florestal, a Cetesb e o Instituto Argonauta, além do Projeto Mútua, ligado ao Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea). Juntas, essas instituições ampliaram o diálogo com a população sobre temas como proteção da biodiversidade marinha, gestão de resíduos sólidos e responsabilidade socioambiental durante a temporada de verão.
Essa combinação de atores públicos e privados reflete um modelo que já é comum na gestão ambiental de Ilhabela. O Instituto Viva Verde Azul, por exemplo, desenvolve desde 2019 um projeto de pesquisa e educação voltado à observação de cetáceos na região, com observatório próprio na localidade do Borrifos, o que mostra como iniciativas de longo prazo se conectam a ações pontuais como o “Verão no Clima” para formar uma rede mais ampla de proteção ambiental na ilha.
Como a proteção ambiental de Ilhabela se conecta a um cenário nacional
O caso de Ilhabela também ilustra um movimento mais amplo observado em municípios litorâneos brasileiros, nos quais governos estaduais têm reforçado programas de educação ambiental como forma de equilibrar o crescimento do turismo com a preservação de ecossistemas sensíveis. A Mata Atlântica, bioma predominante no Parque Estadual de Ilhabela, é uma das florestas tropicais mais ameaçadas do planeta, o que reforça a relevância nacional de ações realizadas na região.
Além disso, a presença de instituições de pesquisa e conservação com atuação estadual e federal em Ilhabela demonstra como a proteção de um único município pode fazer parte de estratégias maiores de conservação costeira no Brasil. Esse tipo de articulação entre diferentes níveis de governo tende a ganhar ainda mais importância à medida que o turismo em destinos de natureza continua crescendo no país.
A passagem do “Verão no Clima” por Ilhabela reforça como a preservação de 85% do território de um município depende de um esforço contínuo, e não apenas de decisões pontuais. A combinação entre programas estaduais, instituições locais de pesquisa e a própria rotina da população residente forma a base do que autoridades ambientais chamam de cultura do cuidado coletivo. Para visitantes que planejam conhecer a ilha, entender esse contexto ajuda a explicar por que boa parte das atrações mais procuradas, das trilhas às praias de comunidades caiçaras, está diretamente ligada a áreas de conservação que dependem de manutenção constante para continuar preservadas.
Fontes consultadas:
https://semil.sp.gov.br/2026/02/em-cidade-com-85-de-area-preservada-verao-no-clima-amplia-cultura-do-cuidado-ambiental-em-ilhabela/
https://www.viva.bio.br/estagio-voluntariado-viva/
https://www.ilhabela.sp.gov.br/portal/noticias/0/3/15357/conheca-as-acoes-e-areas-de-preservacao-do-meio-ambiente-em-ilhabela/